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A dança da vida

Seg | 12.02.18

Texto #1: A simplicidade de um sorriso

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      Era uma tarde de inverno. Carolina odiava esta estação do ano. Não conseguia encontrar razões para a começar a admirar. A isso acrescentava-se o facto de estar com problemas no trabalho e na sua vida familiar. Andava sempre atarefada de um lado para o outro, na rua os seus olhos não largavam o chão e não encaravam as pessoas que na rua com ela se cruzavam. Além disso, acordava e não conseguia encontrar uma razão para sorrir por mais um dia estar a começar.

      Carolina estava cansada de levar uma vida tão pesada e sem sentido, mas não conseguia encontrar a luz ao fundo do túnel.

      Certo dia, foi beber café e o pacote de açúcar tinha uma mensagem que lhe suscitou a atenção: Sorrir ainda é a melhor forma de superar.

     Esse dia, esse momento, essa frase foram a luz ao fundo do túnel de Carolina. Ela sabia que tudo estava errado, inclusive a forma como encarava as situações. Parou e pensou. Ela sabia que algo tinha de mudar e começou por ir a um jardim que havia perto daquele café. Com ela levou o pacote de açúcar já vazio, mas cheio de inspiração. Sentou-se num banco vazio, de onde conseguia ter vista para o rio.

      Dedicou as horas seguintes somente a ela própria.

    Com dificuldade, ao início, mas conseguiu manter a cabeça erguida, onde vagueavam mil pensamentos. As pessoas andavam a passear pelo jardim e isso não a incomodava, porque ela simplesmente decidiu apreciar o seu momento e isso implicava estar num local que tinha descoberto que gostava, com pessoas a cruzarem-se consigo, com uma bela paisagem… O peso dos ombros começou a diminuir e cada vez com mais naturalidade olhava para as pessoas que passavam. Algumas sorriam, outras não. E ela quis rever-se nas pessoas que durante aquelas horas, sem saber, lhe sorriram, lhe chegaram ao coração, porque ela até ali não sabia que um sorriso era tão poderoso na vida das pessoas.

     Passado algum tempo surge uma senhora, já idosa, que ao cruzar-se com Carolina lhe esboça um sorriso e a cumprimenta:

     - Boa tarde, menina!

   Carolina retribuiu o cumprimento e ficou a pensar nele. Como tinha sido simpático da parte daquela senhora cumprimenta-la e como isso tinha enchido o seu coração de calor…

     Começou também a apreciar o quão quente o casaco que tinha vestido a deixava, embora o frio da rua fosse muito. Olhou para os seus pés, onde tinha calçadas umas botas que foram dadas pela sua avó que tanto admira. “Eu posso começar a gostar do inverno. Basta apreciá-lo, percebê-lo e pensar que haverá sempre algo para aquecer o coração e a alma”.

     Passou por uma reflexão interior que deixou mais claro o que havia de fazer para superar tudo o que andava a tirar sentido à sua vida. Até que chegou a hora de ir para casa. Vestiu o pijama e fez um chá quente.

    Os dias seguintes foram de muitas reflexões, que a levaram pelo caminho certo, porque ela acreditou no poder da sua força e do seu sorriso perante a vida.

    O pacote de açúcar ficou guardado na sua carteira até que, quando se sentiu preparada, o ofereceu a alguém que precisava muito de o ler.

     A vida de Carolina nunca mais foi a mesma.